Conciliação entre vida profissional e vida familiar


Desde julho do presente ano, tenho a honra de integrar o MS-ID, Mulheres Socialistas – Igualdade e Direitos, integrando o Secretariado Nacional, cargo que muito me honra e me tem feito refletir acerca da importância da “Promoção da Conciliação pessoal, familiar e profissional”, tema que escolhi para refletir e partilhar convosco, de forma a assinalar o dia 24 de outubro, dia em que se assinala o Dia Municipal para a Igualdade.

Em Portugal, nos últimos trinta anos, assistiu-se a um conjunto de transformações que tiveram impacto na composição socioprofissional da população portuguesa, com relevo para a crescente feminização da população ativa e modos de organização da vida familiar. Mudanças como o aumento exponencial da taxa de participação feminina no mercado de trabalho, a proporção de casais com filhos a trabalhar a full-time (o trabalho apenas a part-time nas mulheres portuguesas são dos mais reduzidos a nível europeu), o prolongamento da escolaridade nas gerações mais novas com relevo para a evolução dos elevados níveis de qualificação atingidos pelas mulheres, novas formas de famílias, alterações que não são acompanhadas  por um progressivo equilíbrio dos estatutos e papéis atribuídos à mulher e ao homem no subsistema familiar, verificando-se ainda uma dinâmica tradicionalista, sendo que na maioria dos casos os cuidados a filhos, idosos, doentes e da habitação são atribuídos essencialmente à mulher. Apesar destas alterações, ainda se verificam nos dias de hoje, défices de infraestruturas de apoio à família, nomeadamente serviços de acolhimento e prestação de cuidados a crianças (especialmente até aos dois anos), idosos, falta de incentivos ao nível de licenças para pais e mães trabalhadores/as, para uma maior participação do pai na vida familiar e flexibilização da organização do trabalho.   Estas lacunas não promovem o aumento da taxa de natalidade, tão ambicionada pelos órgãos políticos, e põem em causa a plena conciliação entre responsabilidades familiares e responsabilidades profissionais dos trabalhadores de ambos os sexos. Para reverter a tendência estrutural da taxa de natalidade, basicamente, é necessário que os portugueses tenham confiança no futuro. Um filho é uma grande responsabilidade e para que esta seja assumida tem de haver um mínimo de condições. E para que haja confiança, é necessário ter emprego estável, serviços de proximidade e incentivos a vários níveis. A implementação de estratégias e práticas de conciliação entre atividade profissional e vida familiar contribui para a promoção da igualdade de oportunidades entre mulheres e homens no mundo laboral e na comunidade. Em suma,  torna-se premente alterar o paradigma, e fazer com que o mercado de trabalho, público e privado,  acompanhe  as  mudanças da sociedade atual.

Idalina Costa

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